Afinal Há Quem Assuma
“O Estado foi apropriado por grupos de interesses e ‘lobbies’ que envolvem o próprio sistema político. A corrupção existe e está a agravar-se em Portugal”. Estas são declarações de João Cravinho publicadas no jornal Público de 12 de Março de 2005.
Em Fevereiro de 2007, João Cravinho actualizou as suas ideias: “A maior corrupção é a corrupção de Estado, é a que envolve as maiores valores e implica a submissão dos interesses públicos aos privados, e não estamos a fazer nem de longe o que devíamos para a combater”, disse ele em entrevista à Sic Noticias.
Mas não esteve este senhor no governo? Não foi deputado durante várias legislaturas? Admiro a frontalidade deste senhor de dizer o que toda a gente sabe, vê ou acredita, mas porque não ir um pouco mais longe nesta tentativa (mais uma para o saco…) de credibilização do animal político?
Foi preciso conseguir um cargo no estrangeiro (administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento), ou seja, já não é o nosso governo que lhe paga o ordenado, para voltar ao papel de Dom Quixote contra a corrupção…
Enquanto foi ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território no primeiro Governo de António Guterres, e de salientar aqui a pasta de Administração do Território nada se passava? ou como ministro não tinha poder para actuar?
O chefe António Guterres parecia-me de dava mais liberdade aos seus ministros do que o chefe José Sócrates, mas não o posso afirmar com certeza pois nunca trabalhei para nenhum dos dois. A não ser que contem com o meu pagamento de impostos e aí sim José Sócrates está a exigir mais de mim do que o exigiu António Guterres.